terça-feira, 22 de setembro de 2009

ÓCIO CRIATIVO X OCIO PARASITA

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Até onde não fazer nada é estar usufruindo a liberdade opondo-se ao estado capital ou ser um vagabundo parasita quem não tem idéia de qual seja a diferença entre estas duas coisas?

Elucidando a ideologia do pai das minhas demências filosóficas Bertrand Russel, venho abordar uma questão que há muito argumento neste espaço de diálogo: O ócio!

Russel em sua obra – que exaustivamente procuro pra baixar na net, mas não acho – ELOGIO AO ÓCIO, discute as relações trabalhistas e o prazer no lazer. Sem entrar nos méritos de Bertrand, visto que logo depois seguirei com algo especial sobre ele, vou discorrer aqui as minhas preocupações com o jovem na modernidade salientando a preguiça, o trabalho e o ofício.

A idéia do trabalho arrolada ao conceito de moral e cidadania é uma falácia cujo intuito é não cessar a mão de obra por trás das maquinas. A coisa mais absurda que ouvi em toda a minha e tive que conviver na escola e Universidade é a infeliz expressão de mestres caducos: “VOCE DEVE SAIR DAQUI UMA MÃO DE OBRA QUALIFICADA PARA O MERCADO”. Essa preparação é mais ou menos como a de um jumento que é alimentado com milho e feno para estar HABILITADO A PUXAR A CARROÇA.

O não fazer nada é uma coisa estúpida, o lazer e a ocupação pessoal não.
Querem fazer o jovem acreditar que ele não pode confiar em sua própria capacidade de produção e sim acreditar nas ofertas garantidas do mercado. Evidente. Se te oferecem uma situação de vida com aposentadoria e tudo mais em troca de seu trabalho ninguém vai recusar, aí está a loucura pelo trabalho, mas isso só acontece por que fomos desencantados de cedo da própria empresa impressa em nosso interior.

Ai acontece que quando o cara se cansa do trabalho capital, também se cansa do seu oficio e passa a não fazer nada nem para o Estado e nem para si mesmo. Torna-se um peso para a pobre família ou quem quer que seja que tenha que trabalhar para o sustentar. Aí não é ócio criativo aí é ócio parasita.

Os ociosos parasitas são cheios de argumentos sobre vida e morte e o sentido da existência sem criar situações para o conforto pessoal. Eu sou contra o emprego formal. Sou contra o empregatício, mas entendo que nem todo mundo está pronto para lidar com esta situação. Nem todos estão na condição de separar o que é não fazer nada e o que é produção pessoal. Eu particularmente, quanto mais me afundo no trabalho formal, mas deixo de produzir uma tonelada de coisas que tenho acumulado em meu quarto. Olho em volta e vejo os papeis em branco, as tintas, o violão, os livros, ferramentas de produção artesanal e mil e uma coisas que ainda que eu viva duzentos anos serão insuficientes para execução diante do curto tempo que dispenso para mim mesmo.

Neste sentido, vejo pessoas que ainda tem a sorte de ter o seu dia livre, poder ficar acordado ate a madrugada, mas não se vê progresso em suas mãos. Seria importante que o jovem de hoje soubesse diferenciar preguiça de ócio criativo.

Ao contrário, porém de modo equivocado, está uma boa parcela dos hippies, que por certo não aceitaram o conforto do Estado e preferiram viver sob céu aberto confeccionando suas bugigangas, porém, também não há progressão na relação tempo – produção, pois se durante a juventude e vida adulta as obras produzidas não passam de artefatos de dentes de animais mortos e sementes de vagens entrançadas em barbantes ou arames muito bem torcidos não consigo ver em que a ilusão do desprendimento é importante, se padecem e pouco conforto têm em suas andanças. Por certo são uns dos tantos que acham que se dar ao ócio também é padecer a necessidade e pagar o preço por não se deitar na rede da Republica Federativa, mas não é. Com Russel principalmente, eu entendo que o conforto, a liberdade, a produção e o ócio podem compactuar de uma estima privilegiada de poucos.

É ai onde temos os dois extremos. Primeiro se o jovem se dispõe a não fazer nada é por que não vai fazer nada mesmo, vai ser parasita; se tem a ânsia de produção se emprega, pois acredita que Deus ajuda quem cedo madruga e deste modo o sucesso do capital supera a genialidade juvenil que fica a mercê da necessidade do ganho garantido. Não fazer nada não é pecado, nem feio, nem delinqüente, é sim maravilhoso, prazeroso, contudo, criativo e produtivo para que o ocioso não seja um vagabundo que dorme enquanto os outros trabalham.
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Um comentário:

Reilustrando disse...

viva o ócio criativo, viva...

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