quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

ROUTE PEQUI - PALMITO: GOIANIA

BANDA

OLHODEPEIXE

Um clichê muito comum em relesses e entrevistas com bandas que acreditam fazer uma música diferente é o de que “não têm rótulos”. Entre 10 bandas que surgem pelo menos a metade delas ostentam tal posicionamento. Mas, na moral, o que acontece é que esta é uma visão enquadrada apenas na vaidade de quem se diz estar acima dos moldes tradicionais. Poucas, muito poucas são as bandas que alcançam este êxito, de conseguir atingir uma musicalidade acima dos enfados que se amontoam diariamente nas garagens.

A arrancada dos anos noventa para o rock foi um período de maior efervescência de bandas que criaram coisas novas, digo no âmbito nacional e internacional. Grunge, alternativo, new metal e os vários pós – alguma coisa.

Por aqui é fácil citar bandas que atingiram estilo bem característico: Nação Zumbi, Charlie Brown Junior, Planet Hemp, Pavilhão Nove, Los Hermanos, Otto, Pato Fú, Cordel do Fogo Encantado, Teatro Mágico e muitos outros, além daqueles que vieram e continuam chegando com essa grande façanha.

Porém, formar uma banda com identidade descentralizada do feijão com arroz que se come todo dia não é apenas ir a um terreiro e misturar batidas de candomblé com guitarra elétrica, ou convidar o JD da cidade com sua pick up para fazer paralelo com a banda no show e coisas do tipo. É preciso muito mais do que FUSÃO, CRIATIVIDADE ou INTENÇÃO, é necessário LUZ, muita LUZ.

A luz de que falo é a ALQUIMIA DA GENIALIDADE, quando o sujeito que começa a coisa tem os TEMPEROS NECESSÁRIOS PARA UMA BOA PORÇÃO MÁGICA: letra, musicalidade, arranjos, ritmo, comparsas que entendem sua visão musical e muita, muita disposição e coragem para se garantir em meio ao pessimismo da crítica que acha que o que é bom é sempre o MAIS DO MESMO. Considerando esta última opção, o lugar onde o individuo que vai enveredar por um caminho arriscado está importa muito no sucesso que pode ter ou não.

Toda esta minha ladainha é para chegar a um ponto interessante de um release que li no MYSPACE de uma banda que se posicionou do modo como estou argumentando: “admitindo não ter uma característica propriamente importada”, mas que, no mesmo release, sustenta ter influencias.

Esta mesma banda me faz crer na verdade citada acima da importância do lugar que se está para obter sucesso em determinada empreitada, pois a última vez em que vi eles se apresentando em terras palmitocitiana foi uma verdadeira vergonha, não para a banda – que se apresentou muito bem – mas para o lugar, que naquela noite apenas acirrou meu pessimismo quanto a possibilidade de se fazer música de verdade neste lugar. Naquela noite, parecia que havia um complô para desestruturar a banda, pois os caras vieram de Goiânia para tocar amanhecendo o dia quando não havia mais ninguém.

Gozado é a inquietação das crianças quando neste blog ainda se critica a “feijoada de fim de semana nas casas de shows”. Fica claro que toda esta inquietação é por se estar tocando nos amiguinhos que dividem as cartas no jogo de BANCO IMOBILIÁRIO. Por aqui, os mocinhos se juntam em torno de suas frescurinhas e passam uma cerca de arame farpado. Bom é o que é bom para eles. Banda é banda que é boa para eles. Ruim é o que é ruim para eles.

Mas, deixando toda essa coisa de falar deste parque de diversões da qual já estou cansado, a banda em questão é a banda OLHODEPEIXE de Goiânia.

O vocalista da banda OLHODEPEIXE chama-se Gregory, e, não é muito desconhecido da freguesia de Palmito City. Ele já foi citado aqui neste blog na matéria HISTÓRIA DO ROCK NA TERRA DO SOL – O COMEÇO NA CAPITAL, como sendo um dos principais responsáveis pela construção do movimento do rock no Estado. Na época com a banda INFECTO FETO, que, diga-se de passagem, usufruiu grandes conquistas pela organização e profissionalidade. Hoje residente em Goiânia lidera nos vocais esta banda que goza de um prestigio artístico e comercial de grande importância.

O download que colocarei aqui é do CD COMBUSTIVEL lançado em 2005. Um bom disco de estréia naquele ano, tanto que está no catálogo da TRATORE (www.tratore.com.br) e da ALVO DISCOS – Monstro – (www.monstrodiscos.com.br/loja/), chegando às prateleiras de lojas de Porto Alegre, Pelotas, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Goiânia, Recife e Belém, além de estar disponível para todo o Brasil através da Submarino.

Falando da banda quero justificar o inicio e meio desta matéria: “bandas sem rótulo” e “lugar ideal para se fazer música boa”. A questão é que a OLHODEPEIXE é uma destas poucas bandas que de fato não é fácil ser definido o tipo de rock que fazem, o que fica claro no disco COMBUSTIVEL é uma forte veia da música brasileira, digo no formato vocal e das letras. Quanto ao andamento, pegadas de rock – groove – funk nas guitarras (Inércia, Autoconsolo, Pra fazer alguém feliz, Jamé, Abutres e Grande angular) enquanto que em outras um sinal do alternativo meio – psicodélico (Dentro, Chuva de fevereiro, Hoje meu mundo é bom) e o pop melódico em O corpo e Seus movimentos.

Já no single gravado em 2008 PUTA ALEMÃ vê-se claramente a presença do rock característico de DAVE MATTHEWS BAND e FAITH NO MORE. Aliás, os dois ultimo singles da banda que estão no www.myspace.com/olhodepeixe1 são um tanto diferentes das músicas do Combustível, parece haver a busca por algo um pouco mais sujo e pesado.

Contudo, nem uma nem outra destas aproximações significam que a banda é indie, funk rock, alternativo ou simplesmente rock nacional, de fato, a banda é uma das poucas que tem um perfil bem peculiar.

Quanto a questão de serem de Goiânia, não é uma coisa boa, mas também não é ruim. Não é ruim por que pior é se o vocalista estivesse aqui se matando sem ser reconhecido. Lá também não é o lugar perfeito por que todo mundo sabe que fazer rock em Goiânia não é uma das coisas mais fáceis do mundo, porém, a abrangência já é outra, por ser uma capital de grande porte e também haver selos e espaços que se interessem por uma música mais interessante.

OLHODEPEIXE


Gregory Mark – vocal e guitarra
Fridinho – guitarra
Zé Junqueira – bateria
Batata – baixo

CONTATO

olhodepeixe1@gmail.com
brunomeupeixe@hotmail.com.br
eugregmark@yahoo.com.br

Já que agora você sabe um pouco sobre o OLHODEPEIXE, confira e tire suas próprias conclusões do álbum COMBUSTIVEL.

Banda: OLHODEPEIXE
CD: COMBUSTIVEL
ANO: 2005



MÚSICAS:

1 – Dentro
2 – O corpo
3 – Inércia
4 – Chuva Em Fevereiro
5 – Autoconsolo
6 – Nó da Forca
7 – Abutres
8 – Seus Movimentos
9 – Hoje Meu Mundo É bom
10 – Pra Fazer Alguém Feliz
11 – Jamé, Menina
12 – Grande – Angular


Link para download

http://w19.easy-share.com/1903178552.html

3 comentários:

Anônimo disse...

c naum me engano eles tocaram no tendencies no grito rock e o show foi muito bom......naum senti q o publico tentou desestruturar a banda, na verdade foi uma noite em q todos os shows foram bons

Remo Augusto disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Revista Intolerante disse...

Galera este link está quebrado, easy share problem hehe... vou repostar no 4shared.

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