sexta-feira, 25 de novembro de 2011

CRÔNICAS INTOLERANTES: ABSTINÊNCIA


Desenho: Álvaro Maia
O corpo ardia em febre, como se laços do inferno o atassem e grilhões da morte pressionassem os seus órgãos. Um espiral de agonia interna sempre afunilando para dentro lhe dava sinais de paralisia e as noites eram intensamente purgatoriais. Chegara até mesmo a deixar rolar os hábitos comuns de se entregar a todos os tipos de vícios até que o seu corpo definhasse de vez e fosse parar na cova, se bem que isso não era nenhum tipo de terror que lhe incomodasse, temia mesmo era a dor: viver amargando uma realidade diferente de muitos que se assentam nos bares no fim do dia para tomar uma cerveja olhando o pôr do sol enquanto o câncer lhe comeria os pulmões ou a cirrose se familiarizasse cada vez mais com seu maldito corpo putrefato.

Andava pela casa inteira no desespero, mas havia escondido as baganas de cigarros e tudo o que cheirava a álcool não via por perto. Chorou, cerrou dentes, teve insônia e calafrios. Puta que pariu! Tudo por uma questão de abstinência. Dias atrás decidiu não mais ser um cavalo dos vícios e seguir de corpo limpo até uma próxima estação onde um copo da melhor cachaça da sua terra não fosse mais um sintoma de suicídio.

(Devaneios Noturnos de um certo Intolerante)

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