terça-feira, 20 de setembro de 2011

DE COMO OS SIMPLES SÃO MAIS FELIZES

Renata Cruz

Invejo a felicidade dos homens que vão apenas onde os cabrestos lhe ditam.

Invejo mais ainda aqueles que insistem em não se libertarem disso.

É como se soubessem que indo além não tem mais volta.

Saber demais, pensar demais, questionar demais cansa.

Hoje estou com vontade de deitar e não acordar tão cedo.

Deixar que o manto escuro do nada me absorva e dê um pouco de paz ao meu coração rechaçado.

Seu Joaquim, voltando do trabalho, aprochegou-se à budega do seu Manoel e pediu uma dose de pinga. Saiu fora na porta e ficava olhando para o céu segurando o copo americano. Parecia estar filosofando consigo mesmo e com o tempo. Refletindo sabe-se Deus a respeito de quê.

Da porta de casa sentia o cheiro do bom chambarí que a mulher preparava. Encostou a magrela no pé de carambola, tomou um banho e foi para o quintal fumar um cigarro de palha. Mais uma vez olhando para o tempo meditando, filosofando sabe-se Deus a respeito de quê.

Dia seguinte rotina! Terminando de construir a casa do doutor Arquimedes que muito exigente só confiava o trabalho mais delicado ao seu Joaquim. Hora da marmita, lá estava ele comendo satisfeito o punhado de arroz, feijão, uma rodela de tomate, macarrão e um bife duro por cima da arrumação toda. Olhando para o céu mastigando o bife que mais parecia um pedaço de plástico que não se ia nunca, olhava para o céu com o olho arregalado, parecia estar filosofando consigo mesmo e com o tempo. Refletindo sabe-se Deus a respeito de quê.

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