segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

LINHA DE PENSAMENTO

Willian Blake, Nabucodonosor, 1795, Londra Tate Gallery


TEMPOS E TEMPOS OU DOIS GOVERNANTES E O RETORNO

Carlos de Bayma*

Cresceu em força e opulência. Edificou para si uma cidade. Estradas e pavimentação ligavam as províncias de sua jurisdição. Construiu jardins, fontes e represas. Em ouro, ergueu as insígnias do seu deus na praça. Ruas retas, paralelas ou perpendiculares, alinhadas com a rosa dos ventos. “Não é esta a grande Babilônia, que eu edifiquei para a morada real, pela força do meu poder e para a glória da minha majestade?” Ainda estava a palavra em sua boca, quando do céu uma voz disse: “Ó rei, a ti se diz: O reino já passou de ti.” Nabucodonosor era o seu nome.

Lançaram-se sobre a lavoura e muito do seu fruto devoraram antes mesmo da cega. Cavalos e carruagens seguiriam a esmo sem o seu dono. Um presságio à Mene Mene Tequel Parsim. “Bel está confundido”, proclamam nas ruas de Babilônia. “Abatido o rei e sua altivez. Glória e poderio suplantados estão. Caiu como um reizinho dos brinquedos de criança. Jogado no monturo como uma fera desvalida e vulnerável”, canta outro cronista à sombra de um salgueiro.

Seu tempo havia sido cortado? Era o tempo derradeiro? Ele não sabia. Passados sete tempos, diz o texto de Daniel: “Tornou a mim o meu entendimento; tornou a mim a minha majestade e resplendor; buscaram-me os meus conselheiros e os meus grandes; fui restabelecido no meu reino, e foi-me acrescentada excelente grandeza”.

***

Os amigos decidiram abandoná-lo, secar-lhes as forças. Agiram com aleivosidade muitos que com ele partiam o pão. Alguns tempos – ou anos – se passaram. Com os que norteavam as decisões, e que tinham ascendido com o seu aval, estava sem prestígio ou influência. As flores do sol que encantavam o olhar foram arrancadas em tempo prioritário. Esquecidos ficaram os jardins. A cidade que ele edificou para morada sua repousava sob a ermidade. “Perspectiva urbana” pareciam palavras sem nenhuma significação. Mas não estava disposto a desistir. Resistiu e se preparou.

No pleito de 2006, os acontecimentos anteciparam o fracasso da investida. Numa inóspita noite de setembro, os cavalos pulsando no motor não suportaram. Inútil era resistir à gravidade, a carruagem foi ao chão como um gigante em queda livre. Sua vida lhe foi por despojo, mas um aliado morreu no desastre. Fragilizado gritou palavras de ordem na TV: “venceria as eleições!” Mas não eram findos os dias de sua visitação.

Só em 2010, e com uma ligeira maioria, foi-lhe devolvido o posto. Governador do Estado pelo qual dedicou sua vida. Oportunidade de assinalar o nome na história e nas crônicas entre os maiores governantes. Quatro anos, uma gente forte, uma terra bela e abençoada. Têm-se tudo para a realização de um grande governo. Afinal, a história e o povo tocantinense aguardam um desfecho feliz!

Carlos de Bayma é escritor, compositor e jornalista.

carlosdebayma@hotmail.com

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