sexta-feira, 12 de junho de 2009

QUESTÕES FAMILIARES. QUANDO OS SEUS PROBLEMAS NÃO SÃO NECESSARIAMENTE SEUS

Dia de domingo cedo. A família se reúne para o café da manhã, o pai se comenta que Bob chegou fora do horário em casa noite passada: “não adianta pisar em ovos, eu ouvi quando você derrubou o jarro empurrando a motoca para dentro da garagem”. A irmã esconde o rosto atrás de uma revista para não entrar também no assunto.

A mãe, mais conivente diz: “deixa o menino, ele já tem idade de se cuidar!”. Depois, tudo fica bem.

Se estes fossem os únicos problemas de Bob tava tudo bem, mas é que na família tem mais irmãos, tem primos, tios e outros mais.

Com o tempo brasas foram se acumulando na cabeça de Bob, ele começou a experimentar o amargo absinto na boca. Sua irmã e os demais parentes foram desandando, até sobre o pai que era puritano foi descobrindo coisas das quais não acreditava.

Com o tempo o menino levado que entrava a passos de seda em casa na madrugada se tornara o menos problemático do sagrado lar, mas algo sobrou para ele, os problemas alheios.

Como se orgulhar de sua faculdade, do trampo bacana que arrumou e da garota maravilhosa que tinha ao lado se as lembranças da família em desgraça lhe consumia?

Diziam sempre para ele nos lugares: “O que ce tem cara? Ta muito depre!”. Nem ele mesmo sabia o que lhe consumia. Depois, cigarro, álcool, maconha, cocaína, LSD, crack, arrogância, indisposição com as pessoas, e todo mundo dizia, o cara deve ter problema demais, mas não tinha, e tinha, por que não eram dele os problemas, mas acabaram se tornando por que era difícil evitar aquela reunião do domingo ensolarado em que os únicos problemas eram os horários ou os piercing que sua irmã decidiu colocar.

É assim que acontece com os bons moços de famílias grandes, quando não se tornam os mais enlouquecidos por suas neuroses, acabam se tornando por causa das neuroses dos outros.

João tinha o irmão que era tudo na vida dele, o mais novo, cuidava e tratava com estima, mas o irmão se perdeu nas neuroses do mundo moderno. Muito grilo de família, muita cobrança da sociedade o menino perdeu a cabeça e pirou, virou esquizofrênico. Jack se culpava por achava que tinha alguma participação naquilo por viver muito próximo e se culpava mais ainda por não conseguir ajudar seu brother.

João saiu do cara sorridente e amigável para triste e inconsolável, sem prazer em nada – apesar da aparência e sem vida própria. Pobre João. Consumiu toda a dor do irmão para si e acabou quase enlouquecendo também.

Nem sempre é fácil fazer de conta que não se tem família, que a vida é boa. Nem sempre é fácil ir para longe e largar tudo e começar tudo de novo. Não senhor! Há demônios que se exorcizam, enquanto outros é preciso aprender a conviver com ele, duro dizer, mas é assim quando os seus problemas são os de sua família.

Desiste não Bob e João, se as almas queimam no inferno por terem sido ruins aqui, as suas gozaram no paraíso, pois o purgatório maior já foi experimentado nesta esfera.

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