quarta-feira, 17 de junho de 2009

POLÍTICA CULTURAL EM PALMITO CITY


Política cultural?! Hum, manda quem pode obedece quem tem juízo!

Mas, se nos molharmos vossas mãos, poderemos trabalhar prezados causídicos e o comandante?!

Neste dia 16 de junho, nem abri as paginas do principal diário do nosso estado e já vi de cara: “SHOWS - SEJUV paga 156% mais caro que Prefeitura”.

“Ah, conta outra! Não é de se duvidar, essa não é nova mesmo por aqui”. Completa meu pensar, que não poderia ficar alheio a tudo isso.

Na matéria falava-se de contratações, e várias contratações por sinal. Vale ressaltar, foram 64 apresentações que totalizavam um valor aproximado a 630 mil reais, despesa grande paga pelo Governo do Estado - Secretaria da Juventude, e isso sem contar as tantas outras apresentações e contratos da nossa Prefeitura de Palmas.

Vale ressaltar ainda, que esse pacote de apresentações se deu apenas com duas bandas, não desmerecendo o nome ou estilo, mas só deram forró: o do H e a Moleca Sem Vergonha. Grande contribuição para o desenvolvimento cultural de nosso estado e muita valorização da produção cultural local, de uma minoria de beneficiados, é claro! E nem vou falar da grande atração do show business e seu ritmo calypso que foi apresentada no aniversário de nossa capital, que deve ter arrancado outra larga fatia do pequeno orçamento da cultura, pobrezinha!

Não queria bater nessa tecla, mas vou lembrá-los, há uma mega indústria que está por de traz desses malditos estilos e poucas diretrizes para o que se produz em arte de fato. Não quero dizer que isto é melhor ou pior, mas não quero mesmo que meu filho, prestes a nascer, cresça e só ouça dores amorosas ou obscenidades e deleitei-se com calcinhas a mostras em ritmos frenéticos.

Prefiro ainda, os tempos de antigamente em que arte tinha valor para reflexão e o desenvolvimento humano e do país.

Por aqui já se produziu muito, e se produz ainda, mas de fato não há espaço. Temos inúmeras bandas, em seus diversos estilos, seja rock, reggae, regional, rap, enfim, vários. E o triunfo maior dessas bandas está em apresentarem-se (de graça) uma ou duas vezes ao ano nos festivais alternativos que sobrevivem a muita luta. Referencio o Festival de Musica de Porto Nacional, o Tendencies Music, o PMW e o Agosto de Rock (este em Miracema), que são organizados sobre sol, chuva e duro esforço, e que são os responsáveis em reconhecer, valorizar e dar cara a estes segmentos.

Ta certo que Palmas está antenada com o restante do Brasil. Foi muito prazeroso ver esse fim de semana a apresentação de grandes bandas do cenário alternativo nacional, como o black music B. Negão e seus seletores – e é de seletividade que quero falar mesmo -, toda a beleza do Pato Fu, a levada beat axé do Mundo Livre SA, ou mesmo o show de ontem, quando os Racionais MC’s passaram por aqui, e trouxeram a tona o segmento hip hop de nossa cidade! É, hoje até o Espaço Cultural está grafitado e ainda tem até entidade puxando a frente da cultura de rua local!

Também temos os segmentos da dança e teatro local, que por sinal, há muito não é renovado em espetáculos, pois é uma batalha que se ergue para se conquistar uma nova produção. Custos com direitos autorais, contratação de profissionais, material cenográfico, figurinos, despesas com ensaios, locação de espaços deteriorados, complemento de equipamentos cênicos que faltam, e mais e mais e mais. Enquanto isso, por outro lado, gastam-se horrores com a vinda do tiro no pé As Favas com os Escrúpulos, da dama do teatro Bibi Ferreira, quando poucos tocantinenses tiveram a oportunidade de ver, pois o custo era inacessível, não para o bolso do poder público que bancou.

Aí o artista e produtor local fala: “Ah que saco, me cansei, não vou mais montar peças! E aquela banda ainda existe?”

Na vou me ater no audiovisual, artes plásticas, entre outros fazeres artísticos, pois não compreendo muito essas oficinas, mas a musica e a arte cênica são as produções que mais necessitam de apoios, tanto financeiros, quanto logísticos. E somos escassos, e se questionarmos?!: “Exclusão, é isso que eles merecem!” Têm alguns que ainda ameaçam disto ou daquilo, que prefiro não me ater mais. Mas, será que é isso mesmo? Indago.

Alguém outro dia ainda salientou: “é desse jeito mesmo, se não molharmos as mãos deles, não teremos trabalho, seremos excluídos, tanto pelo estado quanto pela prefeitura”. Aí fica a pergunta: Mas, se nos molharmos vossas mãos, poderemos trabalhar prezados causídicos e o comandante?!

Por Erval Benmuyal - Produtor e ativista cultural

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