sexta-feira, 17 de abril de 2009

EDITORIAL

O VENDEDOR DE ESPETINHO E O CARA DA BANDA DE ROCK
A difícil tarefa de se fazer uma banda em terra sem concorrência.

O cara colocou um ponto de espetinho em certo canto da cidade. A moçada aflorou nos finais de noite.
O cara se encantou com a massificação de pessoas e deu uma quebrada na qualidade do atendimento: carne dura, cerva quente, demora na entrega do pedido.

Um cara que via tudo isso colocou um ponto de espeto do lado. Servia carne da boa e variada. A cerva era do tipo vestido de noiva e atendia a galera em cima do tempo esperado.

Tempo passou e alguns dias depois o espeteiro número um vazou e seguiu rumo a calçada da fama dos vendedores de carne de gato o número dois.

Seguindo esta ordem, um carinha queria montar uma bandinha de rock. Mas não era pra ser uma bandinha de rock pra aparecer apenas. O cara tinha letras boas, melodia bacana e atitude suficiente pra fazer a parada sair do quintal de onde vivia e ir mijar nas passarelas alheias. Mas o cara com todo o seu potencial precisava de mais, precisava de comparsas, nego que garantisse de segurar a onda. Então, pegou uma lanterna e começou a tatear no escuro. Conversando, perguntando: “e ai meu, conhece um guitarra da hora pra tocar tal tipo de som?” e daí por diante.

Pouco tempo o cara tinha sua banda, mas logo, logo, o pobre diabo começou a notar algumas coisas relacionadas aos indivíduos que se metiam a ser tocadores e o lugar onde vivia.

Tudo ensaiado, show marcado e no dia do primeiro grande show de apresentação, depois que as gatas já tinham sido avisadas, o primo do cara deixou de viajar pra ver ele tocar, outro matou aula na faculdade e assim por diante, um monte de gente sacrificou um monte de lance pra ver a NOVA BANDA COM NOME IMPROVISADO tocar, o baterista tem um ataque de hemorróidas e não aparece, por que não avisou? Por que as hemorróidas eram na goela do cara e não deixava falar, também correram pelos dedos e não deixaram digitar os dígitos do telefone, imobilizaram as pernas do infeliz e não pode sair da cama pra fazer nada.

E tudo começou assim, ponto final da primeira banda.
Mas o pobre diabo estava determinado a fazer historia na terra dos cavalos mancos e seguiu a lida.

Na segunda tentativa procurou reunir pessoas mais simples, sem muita extravagância, mas se fodeu de novo, por que os caras no ensaio faziam o show perfeito, mas sob a pressão dos malditos expectadores que vão com lanças chamas pra incinerar os que não gostam, eles faziam tudo errado. E no inferno ele foi pela segunda vez!

Depois de tantos tombos, vendo outras bandas na gangorra também, pensou, tem algo de errado, ou com este lugar ou com as pessoas que aqui estão.
Saiu então naquela noite insólita, medonha e triste. Foi comer um espeto de lingüiça apimentada e tomar uma solzinha pra esfriar a cuca. Olhou ao redor, foi bem mesmo no momento em que um ponto decaia e o outro surgia, olhou bem a movimentação, o atendimento e todos os lances relacionados aos dois negociantes, clareou as coisas em sua cabeça e pensou: “Caralho! Que cara burro! Vai deixar o outro comer o rabo dele até o talo e não abre os olhos!".

O jovem budinha percebeu logo que uma das coisas que tava fudendo o seu sonhozinho de Elvis era a falta de concorrência, tipo, onde ele estava faltava concorrência, tinha garotos tocadores, mas não se atropelando, pagando, vendendo a alma pra poder subir em um palco, caso tivesse a tal concorrência pode ser que as coisas seriam diferentes.

Outro ponto que notou com aquela dança foi em si mesmo, parou de olhar ao redor e pensou sobre si, tipo, fixou de novo os olhos no espeteiro e imaginou novamente: “Será que este cara é tão ingênuo que não vê aonde está falhando” e logo lembrou que deixou de relacionar alguns pontos na hora de fazer sua banda.

O primeiro vacilo do cara foi se deixar levar pela fama dos caras. Tipo, levou em consideração apenas o que os caras podiam fazer, mas não se era o que eles queriam fazer.

Segundo vacilo foi não procurar saber por que aqueles caras estavam se juntando aquele projeto, se é por que eram irresponsáveis, apesar de tocar bem, e por isso não tinham banda, ou se é por que não davam certo em banda nenhuma.

Terceiro, deixou de enxergar ele mesmo, via os músicos de sua banda como se eles fossem os grandes caras, e não eram, ele era o cara, as musicas eram deles, os shows eram acertados por ele; fama, grana, minas, bebidas, drogas, o caralho a quatro viria por intermédio do produto que ele tinha, então, era os caras que deviam correr atrás pra poder estarem bem, mas ele ensoberbecia os caras sem saber que isso criaria um habito de glorificação nos escalafobéticos.

Decidiu parar de vez. Não vou mas mexer com isso. Se indignou por que imaginava nas noites ébrias que passou a levar:

“Se o filho da puta não gosta de tal tipo de som. Acha música de bichinha. Que é pouco para ele. Que é queimação para sua arte. Por que diabos assume um compromisso, ensaia e vai até o dia do show, mas na hora inventa que ta com AIDS?”

Passado um tempo, em que a periferia cresceu, e muleques humildes de verdade com suas guitarras de marca Tonantes, Gianini, Golden, e sem nenhum rela pra pegar buzu inpestiaram a cidade, ele tava tomando uma numa roda e tocou uma música sua em que alguns carinhas de corações limpos de modinhas loshemanisticas, dispostos a experimentar novas possibilidades disseram: “pô, música da hora! Vamo montar uma banda?” O diabinho ferrado já todo escabriado com a idéia fechou: “pode ser, mas desta vez a gente faz tudo sem compromisso. Eu mostro as músicas a gente faz e daí vocês me dizem depois se gostam ou não, pode ser?” E os meninos: “Fechado!”

E foi assim que o cara da banca do lado venceu o outro espeteiro e a banda do pobre diabo sonhador cresceu e os carinhas que achavam que o mundo era deles ainda hoje estão como macacos de circo inebriados, pula, pula, mas não pára!

(Intolerante)

4 comentários:

[PaTrIcK] [cUnHa] ®™ disse...

\ó/
Cralho, q massa, tem tempo q ñ leio uma estória assim...
muito boa
vc pensou isso sozinho? xD

INTOLERANTE disse...

é..hj de manhã numa pausa para o café e me condoendo com outros comparsas que como eu sonham sair com gel no cabelo numa capinha da rolling stones, ou pelado logo que nem o nxzero, brincadeira, que sonhamos apenas ser ouvidos com típanos sem muros de preconceitos... valeu pelas andanças por aqui, sempre to la no CUnha também. Faloww

AdilSom disse...

nossa que estorinha du caraí mesmo!!!
Genial

Anônimo disse...

OooOOoo bacana!

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