quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

ARTISTAS MARGINAIS

DUNGA
VIDA ESCULPIDA AO SOM DE ROCK’N’ROLL

Com ferramentas improvisadas, uma luva para proteger uma mão já machucada pela arte diária, Dunga esculpe, em um pedaço de casca do pé de cajá, instrumentos de fazer rock’n’roll em miniatura. A inspiração vem de cada música que escuta, dos artistas que curte como BB King, Sepultura, Devotos, Garotos Podres, Albert Fish, Autoramas, O Rappa, Pixies, Midnight Oil, Zeca Baleiro, e muitos outros que fazem um grande show em sua mente.

Wanderson Carreiro da Silva - o nome de batismo - é um jovem de 22 anos que nasceu na cidade de Miracema, região central do Tocantins. Desde criança foi criado pelos avós, Zilda Carreiro da Silva e Miguel Vieira da Silva. A mãe mora em Brasília, cidade para onde deseja ir, mas não para reencontrá-la. Uma de suas grandes vontades é ser reconhecido por sua arte no Brasil todo e o roteiro para que seu sonho se torne realidade começa pra valer no Distrito Federal.

Enquanto não decola de vez nessa viagem pelo planalto central, Dunga expõe as guitarras em miniatura nos shows de rock que acontecem no Estado. “Sempre estive envolvido no meio do rock. Meus tios eram todos roqueiros e tinham uma turma interessante, chamada BR News, que eu sou fã de carteirinha”, afirma o escultor, que, para o futuro, pretende montar uma banda.
Renascimento

O trabalho com escultura iniciou quando ainda era criança e via o tio Wilson esculpir as santas em casca de cajá. “Tudo o que eu sei eu aprendi só, tentando. Olhando para os desenhos que ele fazia eu me inspirava pra fazer meus próprios desenhos, minha própria história”, relembra Dunga.

As amizades que adquiriu na adolescência fez com que o jovem Dunga se envolvesse com o álcool e o cigarro. Nesse momento, a relação com a família ficou mais difícil. A arte serviu para que ele se afastasse dos vícios e se reaproximasse da família. “Antigamente, quando eu bebia e fumava, a relação com minha família não era legal não. Mas depois que eu mudei dá pra conviver numa boa”, disse Dunga.

Para continuar com a idéia de fabricar as guitarras em miniatura, precisou que ele desenvolvesse uma técnica e ferramentas próprias. As ferramentas do tio já não serviam mais nas mãos dele. Foi aí que ele começou a criar as suas próprias, reciclando material. Dentre os instrumentos que ele utiliza para trabalhar, uma luva, feita de borracha e couro lhe serve de proteção.

Com o desenvolvimento de sua arte, Dunga iniciou, em Miracema, um trabalho que dá aos jovens sem emprego oportunidade de aprender a esculpir objetos na casca da cajazeira. A mesma arte que o salvou das drogas, ele ensina a outros meninos da cidade. “Isso foi um meio de tirar os meninos da malandragem. Os meninos todos novos, fumando, bebendo, e eu tive a idéia de começar a ensinar”, explica.

Para o seu futuro, Wanderson da Silva, o Dunga, deseja casar-se, ter pelo menos cinco filhos e trabalhar muito para que todos se orgulhem do seu trabalho. A alegria e o idealismo fazem parte da nova personalidade deste jovem, que cresceu em meio a diversas dificuldades e hoje sonha que um mundo melhor é possível.

Um comentário:

Luis disse...

Rapá, o Dunga um dia me encheu o saco lá no Tendencies q eu quase apelei com ele, depois percebí q ele tava bebão, depois disso levei na sacanagem....AHEuhaEuHAEAUHeAUEh
Gente boa esse puto!

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Revista Intolerante é um blog tocantinenses que trata de cultura e ponto de vista. Sempre abrangendo os trabalhos de artistas marginais e emitindo ponto de vista de vários aspectos sociais.