terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O FRACASSO CULTURAL DE UMA CAPITAL QUE DESANDA À MEDIDA QUE O TEMPO PASSA


Ao cair a noite em Palmito City, as calçadas vão se enchendo de cadeiras de bares e, em muitos lugares, alpendres; em outros, pequenas churrasqueiras convidam os trabalhadores, principalmente servidores públicos, que já saem do serviço tomados pela sede de “catarse” do maldito dia que lhes sufocaram. Em outros pontos, como o quiosque PÔR DO SOL, perto do shopping, pode-se apreciar aquelas músicas românticas (pseudo-sertanejas) que lembram mais um fim de tarde em Goiânia.

Mas para aqueles que não gostam deste tipo de movimento sobram os espaços ditos “alternativos”, já bastante comentados neste blog: alta tensão, bilhar, tendencies music bar, bode e CIA e agora um barzinho que inaugurou na JK ao lado da PANIFICADORA ROMA. Fora estes, aqui e acolá a gente ouve falar de um lugar bom de se ir, mas que geralmente dura pouco tempo. E é isso! Acabou!

Então vamos dividir este artigo em três partes. Primeira, música; Segunda, lugares de encontros e terceira, cultura artística em geral.

MÚSICA

Em se falando em música temos as bandas de rock que moram no Tendencies, onde as únicas que prestam são as de Hardcore, alias, eu acho que todas as bandas de Palmito City tinham que ser de Punk, HC ou Metal, pois outra coisa já ficou provado que não sabem fazer. E não me venham falar de BODDAH DICIRO, ALBION, VIS CONPULSIVA e VERTIKAL, é mais do mesmo, ou menos de nada. Pobres letras, melodias cansativas, falta de emoção e de atitude.

No caso da BODDAH, é grunge mal feito, carregado de ego ostentado nos ombros da baterista que os marmanjos ficam babando na hora dos shows. Sem atitude, sem expressão vocal. Sobram alguns efeitinhos de guitarras e nada mais. Além do que esse tipo de rock ai já não se agüenta mais.

Há uma ausência de CLUBE DE ESQUINA, onde se preza pelas músicas autorais, onde se cultive informações diversas e todos podem expor seus trabalhos. A música em Palmito esta ficando fechada aos covers, isto em função da necessidade do cachê e do arrebanhamento de público. E de quem é a culpa? Dos artistas puros e marginais que não ocupam os lugares devidos. Que deixam a mercê dos que fazem mais ou menos.

BECOS DA CAPITAL: ALTA TENSÃO

Esses dias atrás estava vendo TV – coisa que faço pouco – e vi uma propaganda do Alta Tensão em que dizia um SURF BAR, de fato, a decoração com a lojinha SKATE SURF ao lado, e lá uma quinta feira em que o lugar funciona como um bar qualquer, em que pode-se chegar e ouvir o JACK JOHNSON, BOB MARLEY ou o BEN HARPER não deixam dúvida de que a intenção do lugar é buscar isto.

O Alta Tensão surgiu como redentor das vertentes perdidas na cidade, quer dizer, uma vez que não se tem mais o Zanzi Bar e o Tendencies – que costumava rolar muito rock – sobrou o único lugar que ainda cultiva todo o tipo de som.

O bar é bacana. Tem uma ambientação boa, com fliperama e um espaço agradável, geralmente com bandas ao vivo: de praxe ACENDA, LA CECILIA e o velho e competente MARABA, no caso deste, mandando um som de qualidade que pouca gente acordou para reconhecer isto.

Mas agora surgem as problemáticas da qual lugar nenhum em Palmas que se identifique como alternativo está a salvo: A MONOPOLIZAÇÃO. Com isto quero dizer que uma turminha ensaiada costuma tomar conta do lugar e impor que as músicas, os modelitos e os diálogos têm que ser sempre os mesmos. Mesmo assim, ainda é o lugar que propicia agregamento para todos.

Um dos defeitos do lugar é a questão das bebidas, cerveja em garrafa apenas HEINEKEN, o que acaba limitando as alternativas. A cerveja é boa, mantém o padrão GRINGO que o bar ostenta, mas ter outras marcas, com preços mais acessíveis também seria bom, a não ser que a intenção do lugar não seja esta: a de atrair todo o tipo de consumidor.

Há dois times que apesar de freqüentar o lugar salientam alguns pontos:
Primeiro, os que gostam e concordam que o lugar é bom em todos os aspectos. E segundo, os que freqüentam por falta de opção e por isso sempre levantam pontos negativos do lugar.
Eu estou certo de que lugar nenhum vá agradar a opinião de todo mundo. Estou ciente também de que esta tentativa em Palmito City sempre vai culminar em decepção, tendo em vista que o cenário alternativo daqui é muito equivocado.

Da minha parte acho que o ALTA TENSÃO é o que o TENDENCIES poderia ter sido. Quer dizer, um lugar perfeito para um fim de semana e também para os dias comuns. Tem bom atendimento e a variação de estilos musicais também é positivo. O que na verdade incomoda não é o lugar, é ser o único lugar, ou para onde você vai?

Quanto a cultura artística em geral em Palmito eu penso que ainda falta muito e muito mesmo para ter uma identidade. Não há novidade, criação de qualidade e nem mesmo sinais de que andaremos para um futuro promissor.
Talvez eu esteja agindo como um ARTISTA FRUSTRADO, pois, já foi dito muito por ai que CRÍTICOS SÃO ARTISTAS FRUSTRADOS, contudo, ainda assim, não deixo de agir com um pouco de sensatez.

5 comentários:

Boddah Diciro disse...

Olá Intolerante, tudo bem?
Aqui banda é a banda Boddah Diciro. Sabe, geralmente não respondemos tópicos ou posts que provavelmente só gerarão mais encrencas e desavenças em uma cena tão embrionária como a nossa. Mas, infelizmente, alguns são tão ofensivos e desnecessários que nos sentimos na obrigação de falar alguma coisa que acrescente, sabe?

De qualquer forma, vamos direto ao ponto:

Sobre as suas críticas em relação ao som, acho legal você ter tirado pelo menos cinco minutos do seu dia para escutar o que minha banda tem a dizer. Isso não te agradou, e é absolutamente normal! Você não tem que gostar de tudo, e acho que o melhor que você tem a fazer é compartilhar o seu "conhecimento" mesmo!

Acho total absurdo os restantes dos seus insultos. Somos uma banda que ralou por muitos anos, não exigimos muito (na verdade nada) de nenhum lugar onde vamos tocar, diferente de muitas bandas iniciantes em Palmas. Já tivemos um "estúdio" que gravava gratuitamente as bandas que se interessassem, já produzimos eventos de pequeno porte, fomos talvez a primeira banda de rock do estado a ganhar um edital de cultura (isso deveria abrir as portas para as outras tentarem), com um projeto muito bem elaborado por sinal. Fomos a primeira banda de Palmas a ter saído para um circuito de festivais, fazendo mais de 16 shows fora do estado em um período de um ano. E para terminar, estamos finalizando o nosso primeiro Álbum, que terá todo um valor artístico embutido. Isso é com certeza muito pouco ainda, mas é um começo, certo?

O que quero dizer é que aquele famoso papinho que rola por aí é verdade: Vejo muita gente falando e pouquíssimas ao menos TENTANDO fazer alguma coisa que contribua com a famosa cena não existente do Tocantins. Para você ter idéia do que estou dizendo vou exemplificar: Conheço no mínimo 8 bloggers de "críticos da cena independente do Tocantins", e não conheço 8 bandas daqui que conseguiram ter alguma representatividade fora do estado, não por falta de capacidade, mas por outros motivos quaisquer.

Acho que aqui existem outras bandas muito competentes também, e que com certeza não merecem seus insultos. Cito Vertikal, Críticos Locos (que talvez esteja entre os 3 estilos que você falou que deveriam existir em Palmas) e diversas outras, e penso que o trabalho de cada uma delas deve ser respeitado.

Sobre as bandas cover, acho que elas devem sim existir, pois o próprio público quer isso! O público apreciador da música independente local ainda está se formando, então a tendência é isso ajudar no aparecimento de mais e mais bandas com o passar do tempo. Cover é uma coisa divertida! Acho que a única coisa que muda são as ideologias, sabe? É a tal peguntinha: o que você quer com a músca?
Só ressaltando que Palmas é o lugar que eu conheço que tem mais bandas autorais do que covers.

É isso. O que falta aqui é apenas respeito e a galera começar a olhar pra frente, tirando assim os olhos de seus próprios umbigos.

Abração!
Boddah Diciro

Remo disse...

DUAS INFELICIDADES...

A primeira do autor ao acreditar que apelando para a polêmica, um vicio palmense de comunidades de orkut.
A segunda, Betão, cair nessa?? Todos nós sabemos e reconhecemos o trabalho do Boddah diciro representando o nome de Palmas muito bem lá fora.

"O blog é meu, eu escrevo o que eu quizer"
Realmente, todo direito de liberdade de expressão até onde fere o direito do semelhante.
"A banda é minha, eu toco o que eu quizer"

Eu pessoalmente não vou me vingar de um sonho frustrado metendo pau nas pessoas que conseguiram muito mais do que eu, vou ficar de pé e aplaudir, pois a causa é muito mais importante do que meu ego.

Alguem deve desculpas aqui.

Boddah Diciro disse...

Olá Remo.
Isso não era para ser extendido.
De qualquer forma, algumas coisas na internet tem de ser respondidas, mas na maioria não metemos nosso bico.
Enfim, foi apenas o direito de resposta.
Abração meu velho.

Anônimo disse...

Pô, parabéns Boddah, pela garra, coragem, determinação e tal... mas, verdade seja dita: a banda soa como uma caricatura grosseira do grunge, que na real é um estilo muito bacana.
Falta criatividade, sabe! Não basta ligar a distorção e ficar gritando riminhas idiotas (se escondendo por trás de um inglês fajuto).
Acredito q o tio Kurt se envergonharia...

Anônimo disse...

Ola, a banda esta de parabéns pelo seu trabalho, acredito que muitas coisas deve se melhor som tem que ter mais hamonia, pois quando estamos ouvido, não escutamos a guitarra, nem baixo, muito menos o vocal. um total bangunça!!! tento ouvir as letras das musica nao entendedo nada,mais comprei um cd, acho que estilo e bom!!!

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Revista Intolerante é um blog tocantinenses que trata de cultura e ponto de vista. Sempre abrangendo os trabalhos de artistas marginais e emitindo ponto de vista de vários aspectos sociais.