quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O SOFRIMENTO DO JOVEM WERTHER: QUANDO UMA NOITE VALE POR UMA VIDA INTEIRA.

Tremulamente sua pena cambaleava sobre o papel mau iluminado deflagrando as amarguras byronianas de alguém que descobriu fora de si um prisma relevante à sua condição de ser e existir. Recôndito na alquimia dos flagelos cujo o medo e a frustração eram os menos nocivos de todos os estigmas que o sufocava, agora disposto a definir o destino de sua dor, seja de modo inespremivel ao senso comum ou claramente compreendido por miseráveis cuja penumbra lúcida correspondia a mesma aflição. Só não compreendia o antagônico sentimento que lhe consumia. Ao passo que a beleza da vida é redescoberta, tal como a ascensão da consciência juvenil subordinada ao toque do libido, do outro, um purgatório mental se forma sob as perspectivas edgarallanpollriana na contemplação óbita de Leonor.

Era o renascer de um novo tempo. Tão bom o sentimento e tão doloroso também. Qual Jó roçando suas putrefatas chagas na lamina de um caco imundo no canto de um beco desolado, odiando a si próprio, odiando a tudo e todos, menos o responsável que lhe permitiu tal condição, assim, no encanto que ele próprio permitiu a si, mesmo admitindo todas as seqüelas e conseqüências possíveis, do cômico ao trágico passou a odiar a si próprio e a todos menos ela. Ela não, ela, jamais!

Por favor, não bata na porta! Não ligue ainda para os recolhedores, ainda me resta uma noite.
E fugiu pela janela antes que os anjos cândidos e misericordiosos lhe privassem da vaidade do pecado e das loucuras que não são compreendidos por Zaratrusta nem os ditos do Santo homem do ano um. Fez questão que fosse como uma fuga de casa como nos tempos de adolescente. Levado pelos braços da imaginação torrencialmente impetuosas, foi impelido a desgastar em um momento só todas as possibilidades que nem em mil anos lhe seriam permitido. Mas, primeiro andar. Primeiro deixar que os pés absorvam, ora o suor do barro molhado pelo orvalho, ora a essência vívida da grama do teu jardim. Andar, andar, andar. E, enfim, eis a tua janela.

Junto as bestas que se acomodam a sua condição de vil, entre o mato, escondido em meio ao denso e frio arbusto, queria colher a última visão dela. Absorver a última captação imaginaria daquilo que para ele seria o desfecho final de uma vida inteira. Uma noite. Com ela, uma noite, uma vez, que lhe valeu por toda uma vida inteira, e agora, busca tão distante um resquício sequer, apenas para lhe servir de acalento entre as chamas ou castigos eternos que supostamente sera submetido devido sua néscia resposta ao ato de amar.

Tremulamente sua pena descansava sobre o papel mau iluminado composto pelas amarguras byronianas de alguém que descobriu fora de si um prisma relevante à sua condição de ser e existir.

E então, eles entram pela porta adentrando a sala. E o corvo voa. E assenta-se em uma lápide fria como a meditar sobre tal ato nefasto e incompreendido por Arquimedes e demais rebuscadores do elixir da longa vida, da formula do amor e da pedra filosofal. E o corvo assentou-se sobre a lápide e contemplou suas andanças pelos corredores da uma Divina Comédia. Junto a seu bojo na jornada que lhe fora anunciada leva consigo apenas aquela noite, que lhe seria suficiente para servir de pão, água e bálsamo por toda a eternidade.
Para Re. Uma reflexão ao sofrimento do jovem Werther de Goethe. Obrigado pela maravilhosa noite.

Um comentário:

Renata disse...

Obrigada por se permitir...

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