segunda-feira, 25 de abril de 2011

ENQUANTO O CAOS SEGUE EM FRENTE COM TODA A CALMA DO MUNDO


Dizia-se antigamente que Palmito City era uma boa cidade para morar por haver pouca criminalidade, atualmente, não obstante ainda um clima de tranqüilidade operar sobre o céu da capital, um crescente número inquietante ligado a roubo, assassinato, tráfico de drogas, seqüestro e atrapalhadas da segurança pública passa a preocupar os que decidiram morar aqui trocando o pandemônio das cidades grandes avassaladas pelo terrorismo urbano pela quietude agora ameaçada. É bem verdade que a paz que se vive aqui nada se compara a uma cidade velha e gigante como são as outras capitais, mas se o caso for matemático, tipo, multiplicar o índice de casos de violência hoje pelo número de anos em ordem crescente, daqui a pouco tempo em nada se diferenciará das demais megalopoles, ou apresentar dados piores ainda.

Uma cidade não muito grande e com um efetivo policial considerável transparece condições de controle por parte do estado em relação a segurança comunitária, mas não é o que os dados atuais revelam, o que tonifica algumas situações talvez só agora reveladas.

A primeira diz respeito aos meios de comunicação. Muita gente sabida ou observadora sempre apontou os meios de comunicação da cidade como sendo um meio “acobertador” das atividades marginais que explodiam aqui e acolá pela periferia. Ou seja, não era muito comum nos jornais locais a divulgação de fatos criminosos que a comunidade via todos os dias pelas ruas. A idéia, segundo os críticos deste ponto de vista, era manter a imagem da cidade intacta, sempre limpa dos delinquentes da periferia que ameaçavam a paz dos “bem de vida” que moram no centro da cidade.

O jornal do meio dia, no entanto, atualmente denuncia pelo menos uma pequena porcentagem do que acontece diariamente embaixo das saias da santa cidade, limpa pelo meio e enlameada pelas coxas. O que pode ter acontecido é que a panela de pressão, de tanta força que fez do centro para as bordas, levou a mídia local a divulgar os males advindos na tentativa de reprimir praga do crime e manter o povo limpinho a salvo do “povo do vale” que sobem para Dog Ville a fim de ameaçar sua tranqüilidade.

Outra situação que pode ser levada em consideração para explicar a nuvem negra que cobre a bela fortificação erigida entre os seios das colinas do cerrado é a atenção dada aos acontecimentos sempre do âmago da cidade e o descaso com o que acontece no lado marginal. Isso explica, por exemplo, por que a cidade fica inconformada com o tiro do militar que derrubou um cidadão, confundido com um ladrão no centro da cidade, mas não com os crimes tanto cometidos por uniformizados quanto pelos próprios delinqüentes na periferia. Em outras palavras, quando a lama que vem das bordas da cidade chega na calçada dos “bem de vida” o alarde é dado, por que na verdade o crime não vem crescendo como equivocadamente eu possa ter colocado no começo deste artigo, ele apenas atua como uma impigem na virilha da cidade, começando embaixo e chegando nas partes mais intimas e delicadas, e tal qual uma impigem, se tentar reprimir apenas o mal nos lugares que chamam mais atenção a região onde fica a raiz de todo o problema continuará viva.

Um comentário:

Macagi disse...

Isso me fez recordar uma idéia que tive quando conheci Palmas pelos olhos de um morador. O que me ocorreu fora uma imagem tão falsa e maquiada quanto a de um cenário de tv...

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