terça-feira, 17 de março de 2009

EDITORIAL


PUNKS ATRÁS DA MESA

“É preciso que se saiba diferenciar oficio de trabalho. No trabalho o esforço gira em torno da satisfação do outrem, no oficio, a satisfação é pessoal”.

Crescemos ouvindo provérbios sobre o trabalho, tais como: “O trabalho dignifica o homem!”, “Quem não trabalha é bom que não coma” e por ai vai.

Nossos pais entenderam que o homem honesto é aquele que se fode para sustentar uma empresa, mas isso não fica claro, pois, o capitalismo criou uma forma de atrelar a subjugação ao serviço industrial em troca de poucos tostões ao conceito de moralidade, a ponto de alguns pais de família privarem os filhos até de estudarem, por que, ESSE NEGOCIO DE FICAR O DIA TODO EM CASA COM A CARA ENFIADA EM LIVROS É COISA DE VAGABUNDO.

Hoje em dia a coisa não mudou muito de configuração, a pressão na cabeça do adolescente para se integrar ao mercado de trabalho está pior ainda. Se não fizer cursinho VAI MORRER DE FOME. Se não for pra faculdade VAI VIRAR MENDIGO. Se não passar em Concurso Público VAI TER QUE CATAR PAPELÃO NA RUA. Mas, e o ofício, onde fica?

O oficio é aquele tipo de trabalho que é empregado não em função de uma empresa ou industria, não é que o nego não trabalhe não, trabalha pra carai também, mas faz pra ele, em torno dele. Ele delimita a hora que começa e que termina.

Mas a Escola, como é mantida pelo BANCO MUNDIAL e deste vem o interesse de perpetuar o escravismo industrial do Séc. XVIII, não ensina as crianças e adolescentes sobre o oficio, ensina que SE NÃO FIZER AS TAREFINHAS VAI VIRAR MENDIGO. Não vai arrumar o emprego e vai ficar igualzinho a seu pai, alias, o pai também diz isso ao filho em casa ESTUDE, ESTUDE, SENÃO VAI FICAR IGUALZINHO AO SEU PAI, QUE NUNCA CONSEGUIU NADA NA VIDA.

Veja bem, não to dizendo pra ninguém largar emprego, ou não estudar, ou não fazer concurso ou qualquer coisa parecida, o que estou dizendo é que bem antes disso, bem antes, ainda jovem, adolescente, é preciso que a mente seja colocada no oficio e não no trabalho.

Mas ou menos assim, se o cara gosta de música, seria interessante se profissionalizar na música, aprender como mexer em estúdios, estudar algum instrumento, mas veja bem, É PRECISO QUE SE SEJA BOM NAQUILO QUE FAZ, MEIO TERMOS NÃO LEVAM A NADA.

Quando me refiro a PUNKS ATRÁS DA MESA, estou me referido aquele pobre coitado que está jogado atrás de uma mesa de Secretaria ou outra coisa e que isso não tem nada a ver com ele. É o cara que tem uma banda de rock, que desenha, que escreve bem, que de certa forma é um artista marginal deslocado do universo onde queria estar.

É o tipo do cara que ganha pra fazer o que não gosta, que vive sonhando com outra coisa, mas não tem mais reação por que está preso por algo que não sabe mais como se desvencilhar, devido a cobranças que criou em torno de si.

SOMOS HIPERBÓREOS

” olhemos-nos face a face. Somos hiperbóreos - sabemos muito bem quão remota é a nossa morada. ” nem por terra nem por mar encontrarás o caminho aos hiperbóreos” ; mesmo Píndaro , em seus dias , sabia tanto sobre nós . Além do Norte, além do gelo, além da morte. - Nossa vida, nossa felicidade, nós descobrimos essa felicidade ; nós conhecemos o caminho ; retiramos essa sabedoria dos milhares de anos no labirinto. Quem mais a descobriu ? - O homem moderno ? - “ (Nietzsche - O Anticristo).

Não é justo um cara com identidade alternativa passar o dia todo ouvindo merda de pessoas inferiores por causa de posições selecionadas por amizades e contatos políticos.
Não ta certo se aposentar com um misero salário por tempo de serviço depois de ter ulcera, câncer, trombose e um monte de doenças que são acumuladas com o tempo por causa de estresses e os excessos de remédios contra depressão e outras coisas do gênero.

Somo hiperbóreos, uma raça de pessoas com qualidades e valores superiores a formação convencional.
O jovem de hoje precisa ser ensinado sobre como trilhar seu caminho por meio do seu próprio oficio, para que na velhice, ainda assim, viva daquilo que gosta de fazer.

3 comentários:

Anônimo disse...

a consciencia de que o trabalho no formato atual tb tem seu que ESCRAVISTA e opressor, gera inquietude e sujeitos mais criticos... por isso discute-se pouco: para nos manter calmos e conformados com o modelo de trabalho a que somos submetidosss!!!

Latrina News disse...

Bom... Me encaixo bem nisso.
Sou funcionário público concursado, por sorte adoro minha profissão, FOTÓGRAFO, me arrisco em linhas literáreas e tenho uma banda de rock.

Resumindo, eu largaria tudo para viver de arte, mas não existe essa condição.

Então vai aquela frase bem manjada: No Brasil não conseguimos viver de arte, mas tem que ser artista pra sobreviver.

Re disse...

mas seu caso é o Tipo Ideal (como diria Max Weber)... pois trabalhas com arte (melhor ainda se tiver toda liberdade para atuar e desenvolver seus projetos dentro do espaço de trabalho)!!!
O problema é que a maioria das pessoas deixam de trabalhar com o que gostam ou sabem fazer para se adequar e adaptar em cargos que abafam pensamentos criativos e tal...

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