quarta-feira, 5 de novembro de 2008

BECOS DA CAPITAL: ZANZI BAR. ALTERNATIVAMENTE MAÇANTE


O LUGAR

Indo pela antiga pista do aeroporto, passando alguns postes, vira a esquerda em uma viela de chão e então, pare só quando ouvir a música ao vivo e muita gente amontoada. Uns sentados, outros em pé. Você está no Zanzi Bar.

Pois bem, chegando ao bar, dependendo da hora, é possível se assentar e até alguém lhe servir na mesa, contudo, quando aglomera de verdade, ai o individuo tem que ir comprar a ficha e depois se dirigir ao balcão para poder comprar a bendita cerva. Se der vontade de ir ao banheiro...pronto não vou falar sobre o banheiro, pela aglomeração já se pode ter idéia do que venha a ser. O Zanzi Bar funciona as terças-feiras e o que mais atrai a moçada é a música ao vivo.

AS PESSOAS

Mas este não é um Bar comum, ele tem como característica principal a cultivação do chamado “movimento alternativo”, em outras palavras, pessoas que se identificam com o modo de vida avesso ao convencional, mas que na sua maioria são mauricinhos e patricinhas que buscam identificar-se culturalmente de alguma forma, aproximando para si informações do mesmo gênero, tais como: Cultura Indiana, romance pela arte hippie e seu modo de vida, (que não tem nada mais a ver com a filosofia beatinik de transformação do pensamento universal) entre outras coisas.

Quanto a isso, ninguém pode questionar que qualquer tribo ou cisma adote para si elementos que a identifique como pertencente a alguma classe social, assim como roqueiros, forrozeiros, funkeiros, sambista e por ai vai.

Não obstante essa partícula da sociedade identificar o lugar, atualmente há uma mistura de tudo o que é gente, que como qualquer lugar que acaba aparecendo, vão em busca de movimento e agitação.
Mas, na moral, tomando certa distancia e olhando por uma ótica generalizada, misturando os alternativos mulambeiros, as patricinhas e mauricinhos que querem se aproximar dos menos convencionais e aqueles que estão ali por que não sabem o que fazer com o seu tempo, o lugar é apenas um aglomerado de perdidos e equivocados.

As mesmas pessoas que frequentam o Zanzi são as mesmas que estão na maioria dos lugares "alternas", tal como o Bilhar Brasil (comentarei no mês que vem sobre) e uma parcela no Alta Tensão (também será comentando).
Nada contra o estilo de vida de ninguêm, não é o estilo que desanima, mas incomoda bastante saber que o público formado ali são os que ostentam "o conhecimento supremo" baseado únicamente nas informações vendidas em feiras de vaidades. Nada além do convencional, tão comuns quanto o público do ZERO GRAU ou CHOPPLEQUE.

A MÚSICA

Para quem conheceu no principio reclama do fato de que antigamente o violão era livre para participações avulsas, sendo que hoje, funciona como um bar de música ao vivo com atração principal.

O Zanzi bar é um lugar maçante, cansativo, sem cultura alguma. O que torna o lugar chato são aquelas mesmas músicas dos tais alternativos de marmelada e a troca de informações limitadas a mesmo tema.

Não que Jorge Ben, Tim Maia, Mutantes, Secos e Molhados, Zeca Baleiro e o regguezinho cadango sejam músicas ruins, mas tal qual o Chão de Giz de Ze Ramalho ficou saturado pelos barzeiros - mesmo sendo uma música boa - assim, a veneração apenas às mesmas músicas e mesmos artistas parece ser proposital a fim de fechar um círculo em volta das coisas que estes alternas querem que os identifique. Ou, ao contrário, são burros mesmos e não consomem mais nada além disso. Tente, vá lá, e provoque tocando músicas destes mesmo artistas que não seja as da rádio. Vá lá e toque uma música da Elis Regina que não seja "Como nossos pais". Toque uma do Zeca Baleiro que não seja o "Telegrama" ou "A lenha", e então, caro amigo, você terá um susto.

Gozado que seguindo essa máxima, Los Hermanos também é uma das bandas cultuadas por esse público, mas os Los Hermanos detestavam a idéia de chegar em um lugar e as pessoas ficarem esperando a "Ana Julia". Quer dizer, seguem um prisma musical, associando uma banda que odeia o modo como fazem.

MORAL DA HISTÓRIA

Não que eu não vá, já fui, mas hoje me recuso a ir, pois todas as vezes que me deixo levar por esses encantos tenho que passar boa parte do meu precioso tempo purgando minha saúde das frustrações que trago dali. Não falo pelo bar em si, lugar de bêbado é lugar de bêbado, eu falo pelas pessoas: ditos músicos, estudantes de jornalismo, artistas de meia tigela, escritores de conteúdos pobres, entre tantos outros, que se condicionam a achar que sabem tudo e que escolhem seus lugares para dividir cultura a doses cavalares de álcool. Será mesmo possível que ninguém perceba que um ajuntamento deste nível apenas perpetua o senso comum camuflado em ciência artística? Será que este é o nivel alto de cultura e informação que temos em Palmito City? E caso se queira conversar ou dialogar sobre contra-cultura de caráter amadurecido, para onde ir? o que fazer? Ou será que Rita Lee estava certa, após um cansaço das coisas, “tudo vira bosta”?

Um comentário:

Paulo César disse...

Muito bom seus textos cara!!!

To curioso pra ler o que vai escrever sobre os demais points da capital!

Parabéns!

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